sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Expectantes...

A semana que passou tornou-nos visivelmente mais expectantes... O país político e mediático pareceu esquecer um pouco a eterna retórica e centrou-se na gravíssima situação que económica e socialmente vivemos. Caiu por terra muito véu e mesmo algum embuste. Do poder e das oposições vieram e confirmaram-se sinais de alguma sensatez e procura de entendimentos mínimos. Muita gente, finalmente começou a entender um pouco a realidade, para além de toda a já entediante e habitual encenação partidária. Estamos, e não é de agora, chegados a momentos decisivos. Adiamentos e hesitações não parecem poder prolongar-se por mais tempo. Os dados são conhecidos, cá dentro e lá fora. Principalmente lá fora. O panorama das nossas fragilidades está bem visível, os diagnósticos tantas vezes repetidos confirmam-se. Mudar de vida é imperativo. Falta saber como... Aí, novamente, muita é a divisão e alternativas são as vias de saída...
De tudo isto ressalta, por um lado, a expectativa, por outro, a urgência da decisão e acção subsequente a empreender. De tudo isto ressalta, também, uma outra conclusão - perde-se politicamente demasiado tempo tentando rodear, contornar problemas e adiando soluções. Já é tempo de evitar a todo o custo mais rodeios e panaceias. 
Vivemos tempos difíceis e continuaremos a pagar duramente todos os adiamentos e paliativos que não resolveram nada. Temos de enfrentar com acrescida seriedade e frontalidade as dificuldades que nos tolhem e começar a resolver não a complicar ainda mais do que está, a difícil situação em que nos encontramos no nosso país. 
Expectantes continuamos, porque, porventura abalados pela dureza das dificuldades, não aceitamos facilmente que assim estamos ou como aqui chegamos...
No entanto, parece-me que a crueza da realidade finalmente começa a matar devaneios ou falsas esperanças de soluções milagrosas... Só isso permitirá avançar e resolver, porque os caminhos de saída da crise são estreitos e não permitem veleidades.
 As crises profundas têm esta potencialidade - a de eliminar escolhos e forçar as forças políticas a resolver em vez de prometer... É esse o sentimento e o querer da grande maioria dos cidadãos - agora 'já não há volta a dar', há que trabalhar para solucionar...
As expectativas continuam altas... Era bom que não nos decepcionassem, mais uma vez...

Tomar,
Janeiro de 2010

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