terça-feira, 16 de abril de 2013

Godot nunca chega…


Para espanto de uns e gáudio de outros, ainda angústia dos de sempre, continuamos esperando por Godot, como na peça teatral…
No meio da confusão mediática e geral, de atoardas e mistificações, boatos e notícias plantadas, para nem sequer falar dos disparates… cá vamos… não queria dizer cantando e rindo como na ditadura, mas suavemente embalados por novelas e futebóis atordoantes…Porque Godot nunca chegará…

Nada disto devia ser surpreendente, bem pelo contrário…
Será que ainda não nos conseguimos aperceber que toda esta situação convém à ´situação’ (vulgo governo) e à oposição?
Não é mais que óbvio que a ambos falta a firmeza e a clarividência construtiva, as ideias, para sair do fundo poço em que nos encontramos?
Quando não se sabe o que fazer ou se vislumbra luz, é hábito entreter o povo… Os antigos césares romanos foram peritos neste mister… Desde esse então longínquo os seguidores não fizeram mais do que imitações…
No impasse, esperando as decisões imperiais do centro europeu lá nos iremos arrastando até aos idos de Setembro, que os de Março já tiveram as suas vítimas…

Decepção? Não, de todo!
Simples constatação de factos e realidades repetidas à nausea…
Simples observação atenta pode trazer alguma luz no meio de tantas trevas…
Simples serenidade e algum bom senso permitirá dar algum sentido a tanta informação desencontrada ou oposta…
Só assim poderemos continuar nossos caminhos individuais e colectivos – sem desespero, sofreguidão, mas com alguma esperança, por mais ténue que seja, para que o sofrimento tenha sentido, para que a liberdade seja forjada e construída pouco a pouco, para que a solidariedade vença o egoísmo e se faça futuro no presente, mesmo nos difíceis dias que todos temos de viver nestes tempos de profundas mudanças…
Mas, e não foi sempre assim?...


Tomar,
Abril de 2013

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