Para espanto de uns e gáudio de outros, ainda angústia
dos de sempre, continuamos esperando por Godot, como na peça teatral…
No meio da confusão mediática e geral, de atoardas e
mistificações, boatos e notícias plantadas, para nem sequer falar dos
disparates… cá vamos… não queria dizer cantando e rindo como na ditadura, mas
suavemente embalados por novelas e futebóis atordoantes…Porque Godot nunca
chegará…
Nada disto devia ser surpreendente, bem pelo
contrário…
Será que ainda não nos conseguimos aperceber que toda
esta situação convém à ´situação’ (vulgo governo) e à oposição?
Não é mais que óbvio que a ambos falta a firmeza e a
clarividência construtiva, as ideias, para sair do fundo poço em que nos
encontramos?
Quando não se sabe o que fazer ou se vislumbra luz, é
hábito entreter o povo… Os antigos césares romanos foram peritos neste mister…
Desde esse então longínquo os seguidores não fizeram mais do que imitações…
No impasse, esperando as decisões imperiais do centro
europeu lá nos iremos arrastando até aos idos de Setembro, que os de Março já
tiveram as suas vítimas…
Decepção? Não, de todo!
Simples constatação de factos e realidades repetidas à
nausea…
Simples observação atenta pode trazer alguma luz no meio
de tantas trevas…
Simples serenidade e algum bom senso permitirá dar
algum sentido a tanta informação desencontrada ou oposta…
Só assim poderemos continuar nossos caminhos
individuais e colectivos – sem desespero, sofreguidão, mas com alguma
esperança, por mais ténue que seja, para que o sofrimento tenha sentido, para
que a liberdade seja forjada e construída pouco a pouco, para que a
solidariedade vença o egoísmo e se faça futuro no presente, mesmo nos difíceis dias que todos temos de viver nestes tempos de profundas mudanças…
Mas, e não foi sempre assim?...
Tomar,
Abril
de 2013


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