quinta-feira, 27 de junho de 2013

Democracia e tolerância…


Temos ainda de crescer muito, de muito amadurecer em termos de tolerância democrática…
Todos vivemos dias de brasa (meteorológica, social, política, económica…), mas isso não é alibi para nos esquecermos do respeito e da tolerância que, a todos, a democracia e o estado de direito impõem como dever sagrado.

Isto vem a propósito da espuma dos dias, da sociedade ultra mediatizada e ultra rápida que nos impele demasiadamente a disparates ou a acções que só revelam o pior que pode haver em tantos de nós. Há atitudes que deveríamos sempre, mas sempre ponderar, reflectidamente agindo em consequência. Respeitar democraticamente quem tem opinião e acção diferente da nossa deveria ser o alicerce básico das nossas interacções sociais e culturais. Na vida, como em tudo, quem não muda, cristaliza e não avança…
Na vida, como em tudo, nada é completamente absoluto ou imutável.
Os valores básicos de liberdade, de direito à diferença e tudo o que respeita à consciência individual merecem ser defendidos e preservados, por mais que mudem os tempos e as vontades humanas…
Os tempos e os modos bem podem ser diferentes, mas se continuarmos, egoisticamente a tolerar o desrespeito por valores que atentem contra a decência humana, contra os direitos humanos, sejam eles políticos, socio-económicos ou culturais, não podemos por certo defender seja que posição fôr… Quando muitos, infelizmente ainda, agem de forma persecutória ou como arautos de todas as vanguardas detentoras de toda a razão, excluindo a democracia e o direito à diferença, então estaremos a por em causa a democracia, que, como Churchill dizia, parafraseando, pode ser o mais imperfeito dos regimes, mas por isso mesmo é o único que evolui e afasta qualquer margem para o arbítrio e a ditadura.
Nos tempos agitados em que vivemos será sempre bom recordarmos que a nossa liberdade individual acaba quando não soubermos respeitar a liberdade dos outros…

João Mendes Nogueira,

Tomar, Junho 2013

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