quarta-feira, 5 de novembro de 2008

E Tomar?


 

Atolada, 'atomizada' à tonelada de alcatrão, betão e buracos...Pó e lama. Areia nos nossos olhos?...Encurralada, regredindo ou fugindo em frente... Sem rei nem roque, ou com mais roques do que rei... (Será que alguém não se esqueceu do que é planear, do que é pensar um pouco?...)

É, e Tomar, em contra ciclo há quantos anos?

Substituindo produção, património, cultura, por mais cimento ou uns metros de alcatrão, destruindo mais que construindo?...

Vulgarizando o que deveria continuar único?

(Telemóvel que toca em concerto clássico?

Palmas antes de tempo...

Fogacho mediático no fórum...

Ou 'overdose celulósica' / crise de identidade que desestabiliza autarcas 'à beira de um ataque de nervos'...?)

Muito a sério, penso que, (e não de que), mesmo havendo tanta gente lamuriando, nos vários muros disponíveis ou nos ouvidos e olhos cansados, que continuam escutando e tentando ver, perceber, encontrar pistas, ou só simplesmente aceitando, teremos de nos acomodar / adaptar a VIVER assim.

No entretanto...

Procurando produzir, construindo património, cultura, não só 'betonando' ou alcatroando... (Também faz falta, mas com mais verde, natural, de preferência, à mistura, se não se importam...)

O silêncio, a pausa, também é música.

Para tudo isso se encontrarmos consensos, que o façamos.

Era bom, mas..., por certo, difícil...

Há quem diga impossível...

Se isso significar ser-se radical, com ou sem aspas, que o sejamos.

Mas não 'à beira de um ataque de nervos', mais ou menos mediatizável...

Se isso quer dizer que vamos reconhecer que não sabemos, que o façamos sem medos ou angústias desnecessárias…

E que até isso partilhemos...

Mas tudo com alguma (o mínimo de?) ponderação, de siso, como soe dizer-se...

E se isto implica sermos mais modestos e menos egoístas, menos umbilicais, o que é próprio de humanos que somos, que o tentemos…

Mas não facilitemos demasiado, como o temos feito, pois sem qualidade, estamos a enganar!

Continuo a pensar que nada há de mais fútil, agressivo e violento, do que o engano, a decepção voluntária!

Tenhamos a coragem de não voltar costas aos desafios e de os discutir abertamente.

Saibamos, igualmente, ter a coragem de separar as águas, quando e se o tivermos que fazer!!!

Tenhamos a coragem de não enjeitar a inovação, de não desanimar ou sequer desesperar perante os espinhos e fracassos, mesmo sabendo que os recursos são e vão ser sempre escassos, ou que a mudança é permanente e já não cíclica.

Acima de tudo tenhamos a coragem de não ter medo da nossa própria sombra...

E Tomar?

Continuará a faltar-lhe garra, sobrando-lhe orgulho e preconceito?

Desperdiçará energia vital em discussões inertes, sem sentido, esquecendo arrojo, movimento, sempre seu apanágio de berço templário?

Concerteza que não!

Por mim, que a adoptei como minha, não vejo razão!

Mas por favor, sustentadamente cresça-se, sem vaidades metecas ou de gema, tanto faz...

Derrubem-se muros na cabeça de tantos que ainda não escaparam à luz ofuscante do tal Poder.

Que afinal não pode assim tanto como isso...

No fundo talvez se tenha de começar por aqui: pelos princípios demasiadamente esquecidos da hombridade e solidariedade humanas, do abraço mais fraterno que cínico.

Citando Sophia de Mello Breyner, já sei por demais que, 'O passo decidido não acerta com o cismar do palácio', e os nossos diferentes 'palácios' estão a esvaziar-se de ideias e a encher-se das diferentes 'verdades' que se digladiam e se anulam mutuamente, futilmente...

Que desperdício tão grande de humanidade...

É, e Tomar?

Futuro tem de ter, mas...

Repito, SOLIDARIAMENTE, com PARTILHA e ESPÍRITO DE VIAGEM DE DESCOBERTA, CONTINUANDO, porque aprender é preciso!

Aqui, na cidade que é de todos, num país e numa Europa que tem de ser de todos os que a quiserem construir Futuro.

Acima de tudo, com humildade democrática!

 

(O que atrás vos disse, publiquei, em Março de 2003, já como colagem de fragmentos de outros escritos, bem mais antigos, feitos em diversas colaborações como esta…

Novamente os rebusquei e actualizei…

Provavelmente não precisei de muito para que aqui, mais uma vez, ficasse dito!..)

  

Tomar, 

3 de Outubro de 2008

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