Os tempos que correm são incrivelmente sabotadores do espaço para qualquer reflexão ou sequer para uma ínfima dose de objectividade… Basta ver o furacão, a ‘overdose’ de informação mediática que nos vai esmagando e, frequentemente, confundindo ou mesmo enganando, para facilmente constatarmos o ‘tsunami’ a que estamos todos sujeitos… A fragmentação, mesmo atomização das notícias, da informação em geral, é provavelmente o fenómeno mais importante e decisivo deste ‘mundo ao contrário’ em que vivemos…
A pressa, proverbialmente inimiga da decisão ponderada, reina e destroi tudo à passagem…Quando mais necessária é a reflexão serena, devidamente contextualizada e fundamentada, mais se assiste ao disparate, à fuga em frente, ao desleixo e ao erro crasso… Basta, para confirmar, estarmos atentos ao que nos rodeia e desesperantemente nos domina – confiança, que é feito dela? Capacidade de perspectivação e previsão, nem que seja a curto prazo, esfumou-se!!!
Que nos resta enquanto cidadãos? Conformarmo-nos?
Embora, pelo menos entre nós, essa esteja a ser a resposta mais inevitável, temos também alternativas a este atavismo, temos igualmente já inúmeros exemplos que tentam remar contra esta maré estupidificante e avassaladora – vejam-se os casos da crescente influência pública das chamadas redes sociais ou do papel cada vez mais fulcral das organizações não-governamentais no estabelecer de posturas e no abrir de caminhos diferentes para todos os novos desafios que temos de encarar e resolver neste ‘admirável mundo novo’ em que vivemos…
Se há mensagem que devemos todos abraçar e seguir ela terá sempre de ser a da não desistência – por mais difíceis que sejam os obstáculos, não podemos desesperar ou encolher ombros – só do trabalho sereno, empenhado e persistente surgem as soluções para as dificuldades. Sem esta simples perspectiva, nada, mas mesmo nada poderá surgir de positivamente novo na construção dos dias que aí vêm…
Tomar, Abril de 2012
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