sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Tempos conturbados…

Que vivemos tempos muito difíceis e conturbados já ninguém duvida. O que realmente se deve questionar é o facto de já ninguém estranhar que o anormal se esteja a tornar normal…
Vejamos – O poder legislativo (o Parlamento) parece apenas servir para alguns debates estridentes ou para mais umas manifestações à porta ou dentro do hemiciclo… Os 230 deputados nacionais tagarelam, legislam mal ou não legislam… Governo e oposição trocam palavras sem adiantar projectos ou soluções…Quando questionados sobre o que querem, apenas discorrem sobre incertezas ou passam ao lado do essencial. O refúgio na demagogia ou na propaganda é a mais habitual não-resposta…
Nas autarquias o panorama é semelhante – gerem-se quotidianos, dívidas dia a dia ou pagam-se promessas eleitorais com mais umas nomeações à medida… que para mais obras acabou o crédito…
A Justiça, afogada em pequenos litígios que transformam tribunais em torres de babel e papel, dificilmente consegue dar resposta atempada a tanto processo – aqui a ‘moda’ é a das providências cautelares e dos consecutivos recursos para o Constitucional que, qualquer dia, se vai queixar de já não ter capacidade para mais… (e a reforma da dita Justiça continua em curso… ninguém sabe é até quando…)
Se então falarmos de Saúde, Educação ou Segurança Social aí apenas assistimos a mais degradação, menos meios humanos e mais responsabilidades e respostas a dar… E como se gasta muito, dizem… o melhor é alienar, isto é, privatizar…
O que está em causa já nem são opções estatistas ou privatizadoras, sejam elas adequadas ou erradas…
O que deveríamos ter era clara separação entre público e privado, o que deveríamos esclarecer é o que estamos dispostos a pagar para que o Estado assuma determinadas funções, as inerentes despesas e que receitas fiscais queremos assumir, através de impostos. O que ninguém com poder quer discutir são regras simples e claras que estabeleçam linhas de demarcação… O problema, talvez, é que esta transparência não interessa a muitos que se alimentam na confusão instalada para benefício próprio…
Estas são questões a ser politicamente discutidas com urgência:
O que queremos do Estado? O que queremos de uma autarquia?
O que deve ser de iniciativa privada ou social e o que deve manter-se na tutela estatal ou autárquica?
Que sistema eleitoral e político devemos ter para nos representar e governar?
Ter soluções para estas interrogações é encarar de frente a crise dos nossos tempos, é preparar futuro para um país já saturado de politiquice.
Ter alternativas eleitorais claras, objectivas e confiáveis seria um bom começo para as tais mudanças, sempre adiadas, mas que não podem desaparecer no segundo seguinte ao duma tomada de posse...
Em promessas eleitorais já só os incautos e desprevenidos acreditam…

Tomar, Fevereiro de 2014


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