Que vivemos tempos muito difíceis e conturbados já
ninguém duvida. O que realmente se deve questionar é o facto de já ninguém estranhar
que o anormal se esteja a tornar normal…
Vejamos – O poder legislativo (o Parlamento) parece
apenas servir para alguns debates estridentes ou para mais umas manifestações à
porta ou dentro do hemiciclo… Os 230 deputados nacionais tagarelam, legislam
mal ou não legislam… Governo e oposição trocam palavras sem adiantar projectos
ou soluções…Quando questionados sobre o que querem, apenas discorrem sobre
incertezas ou passam ao lado do essencial. O refúgio na demagogia ou na
propaganda é a mais habitual não-resposta…
Nas autarquias o panorama é semelhante – gerem-se quotidianos,
dívidas dia a dia ou pagam-se promessas eleitorais com mais umas nomeações à
medida… que para mais obras acabou o crédito…
A Justiça, afogada em pequenos litígios que
transformam tribunais em torres de babel e papel, dificilmente consegue dar
resposta atempada a tanto processo – aqui a ‘moda’ é a das providências
cautelares e dos consecutivos recursos para o Constitucional que, qualquer dia,
se vai queixar de já não ter capacidade para mais… (e a reforma da dita Justiça
continua em curso… ninguém sabe é até quando…)
Se então falarmos de Saúde, Educação ou Segurança
Social aí apenas assistimos a mais degradação, menos meios humanos e mais
responsabilidades e respostas a dar… E como se gasta muito, dizem… o melhor é
alienar, isto é, privatizar…
O que está em causa já nem são opções estatistas ou
privatizadoras, sejam elas adequadas ou erradas…
O que deveríamos ter era clara separação entre
público e privado, o que deveríamos esclarecer é o que estamos dispostos a
pagar para que o Estado assuma determinadas funções, as inerentes despesas e que
receitas fiscais queremos assumir, através de impostos. O que ninguém com poder
quer discutir são regras simples e claras que estabeleçam linhas de demarcação…
O problema, talvez, é que esta transparência não interessa a muitos que se
alimentam na confusão instalada para benefício próprio…
O que
queremos do Estado? O que queremos de uma autarquia?
O que
deve ser de iniciativa privada ou social e o que deve manter-se na tutela
estatal ou autárquica?
Que
sistema eleitoral e político devemos ter para nos representar e governar?
Ter soluções para estas interrogações é encarar de
frente a crise dos nossos tempos, é preparar futuro para um país já saturado de
politiquice.
Ter alternativas eleitorais claras, objectivas e
confiáveis seria um bom começo para as tais mudanças, sempre adiadas, mas que
não podem desaparecer no segundo seguinte ao duma tomada de posse...
Em promessas eleitorais já só os incautos e
desprevenidos acreditam…
Tomar,
Fevereiro de 2014
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